Mendonça joga bomba no colo do STF ao liberar para o plenário caso das mensagens entre Moraes e banqueiro do Master

Decisão expõe troca de mensagens autodestrutivas no dia da prisão de Daniel Vorcaro e reacende crise institucional na Corte; Moraes nega ligação

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Moraes e Mendonça. Foto: Reprodução/Internet

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O ministro André Mendonça liberou, neste domingo (6), para julgamento pelo plenário do Supremo Tribunal Federal um caso que promete sacudir a Corte: o relatório da Polícia Federal que aponta troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso desde novembro de 2025. Agora cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, decidir quando o tema entra em pauta e se a sessão será pública ou sigilosa.

As mensagens que sumiam sozinhas

Segundo apurado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, concluída em 27 de agosto, o celular de Daniel Vorcaro guardava registros de mensagens de visualização única, que se autodestruíam pouco depois de serem abertas, configuradas para apagamento automático em 24 horas desde 17 de setembro de 2025. As imagens recuperadas seriam prints de textos enviados por Vorcaro a um contato salvo como “Alexandre de Moraes Brasília”.

O ponto mais sensível é a data: as trocas identificadas aconteceram em 17 de novembro de 2025, véspera da primeira prisão de Vorcaro, que foi detido no aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar para Malta. Nas mensagens atribuídas a ele, o banqueiro falaria sobre antecipar planos a investidores para tentar salvar o banco, comunicar parte de uma transação, perguntar sobre bloqueios judiciais e avisar que iria à Europa “assinar com os investidores de fora”. Do outro lado, os registros indicam quatro respostas ao longo daquele mesmo dia.

O contrato de R$ 131 milhões

A investigação também trouxe à tona um contrato entre Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, no valor de R$ 131 milhões, equivalente a R$ 3,6 milhões mensais ao longo de três anos, assinado em janeiro de 2024. Chamou atenção o fato de os metadados do documento indicarem “Ministro Alexandre de Moraes” como último editor do arquivo, informação que a Polícia Federal também levou ao relatório encaminhado ao Supremo.

Mendonça agiu sozinho, e a PGR reagiu

O imbróglio ganhou contornos institucionais quando Mendonça, relator do inquérito, determinou em 24 de agosto que a Polícia Federal identificasse em 72 horas todas as pessoas mencionadas nos relatórios sobre o Banco Master. A PF entregou 218 páginas em 27 de agosto, e Mendonça decidiu tirar o sigilo do material antes de remeter o caso ao plenário, em 1º de setembro.

A Procuradoria-Geral da República, comandada por Paulo Gonet, reagiu em menos de doze horas pedindo a anulação de toda a apuração sob dois argumentos: que um ministro do STF não pode investigar um colega sem autorização prévia do plenário, e que a própria diligência determinada por Mendonça extrapolaria sua competência como relator.

fica demonstrado que as mensagens estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes

Nota divulgada pela Secretaria de Comunicação do STF, a pedido do gabinete de Alexandre de Moraes

O que diz Alexandre de Moraes

Procurado, o gabinete de Moraes negou qualquer contato direto. Em nota divulgada em março, quando o caso das mensagens veio a público pela primeira vez, o STF afirmou que uma análise técnica dos dados apreendidos com Vorcaro mostrou que os prints estavam vinculados a outros contatos telefônicos cadastrados no computador do banqueiro, e não ao ministro. A nota não tratou do contrato entre o escritório da esposa de Moraes e Vorcaro nem apresentou justificativa comercial para o acordo milionário.

O pano de fundo: a quebra do Banco Master

Todo o caso está umbilicalmente ligado ao colapso do Banco Master, que gerou um rombo estimado em R$ 47,3 bilhões e forçou o maior ressarcimento da história pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Vorcaro segue preso desde novembro, e o processo em torno dele já rendeu outras revelações incômodas para o Judiciário, incluindo supostos repasses e convites que teriam alcançado outros ministros da Corte, ainda sob apuração.

E agora, o que muda

Com o caso liberado para o colegiado, o desfecho deixa de depender apenas de decisões individuais e passa a exigir um posicionamento coletivo dos onze ministros, algo raro quando o alvo é um integrante da própria Corte. Ainda não há data para o julgamento, mas o tema promete dominar o noticiário político nas próximas semanas, especialmente por acontecer a poucos meses das eleições de outubro.

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