ouvir notícia
Áudio gerado por IA — nomes e termos podem soar diferente do esperado.
O clima dentro do Supremo Tribunal Federal esquentou ainda mais nesta quinta-feira (3). O ministro Alexandre de Moraes formalizou, junto ao presidente da Corte, Edson Fachin, um pedido para que seja aberta uma investigação contra o colega de tribunal André Mendonça. O documento, de 20 páginas, mira diretamente a atuação de Mendonça à frente das Operações Sem Desconto e Compliance Zero — e as acusações são graves.
Segundo a petição enviada por Moraes, a conduta do ministro nas duas operações levanta suspeitas de “improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e eventual favorecimento de grupos políticos”. Não é pouca coisa: são acusações que, se confirmadas, podem gerar consequências sérias para Mendonça dentro e fora da Corte.
O que Moraes está acusando Mendonça de fazer
O pedido lista uma série de condutas supostamente irregulares atribuídas a Mendonça durante a relatoria das operações. Entre os pontos levantados estão:
- Ter assumido pessoalmente a direção de investigações que caberiam às autoridades policiais, determinando medidas que teriam comprometido a cadeia de custódia das provas e prejudicado a produção probatória do caso;
- Conduzir de forma irregular as negociações de colaboração premiada envolvidas nas operações;
- Direcionar alvos específicos de investigação por motivações pessoais e políticas — incluindo, segundo a acusação, a indicação antecipada de medidas cautelares antes mesmo da conclusão das apurações.
Polícia Federal também entra na história
Um relatório de inteligência produzido pela Polícia Federal, citado no pedido, aponta que Mendonça teria manifestado interesse explícito na abertura de uma investigação formal contra o próprio Moraes — chegando a pedir, mais de uma vez, que equipes policiais encaminhassem uma “provocação” nesse sentido.
Enquanto o novo pedido tramita, segue em andamento o inquérito das Fake News, aberto em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, e que continua sob relatoria de Moraes até hoje.
Agora, a decisão sobre os próximos passos está nas mãos de Fachin, presidente da Corte — e promete esquentar ainda mais a relação entre os ministros do Supremo.