Justiça condena médica que inventava câncer de pele para lucrar com cirurgias desnecessárias

Carolina Biscaia Carminatti foi condenada a mais de 11 anos de prisão por aplicar golpe em pacientes com laudos forjados de câncer de pele; ao menos 31 vítimas foram identificadas na investigação.

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Médica Carolina Fernandes Biscaia. Foto: Reprodução

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A médica Carolina Fernandes Biscaia Carminatti foi condenada nesta quarta-feira (9) a 11 anos, 8 meses e 25 dias de prisão em primeira instância pela Vara Criminal de Pato Branco, no sudoeste do Paraná. A decisão, assinada pelo juiz Eduardo Faoro em uma sentença de 98 páginas, reconhece que a médica aplicou golpes contra pacientes ao emitir laudos falsos de câncer de pele para justificar cirurgias desnecessárias.

Segundo a defesa, a Justiça acolheu parcialmente as acusações do Ministério Público do Paraná, absolvendo a médica de parte dos crimes que constavam na denúncia original. Ainda assim, a pena aplicada ultrapassa 11 anos de reclusão. Carolina segue em liberdade enquanto o processo corre em instâncias superiores.

Como funcionava o esquema

O caso é investigado desde 2024 e envolve atendimentos realizados na Dermatto Clínica, em Pato Branco. Carolina coletava amostras de pintas e manchas de pele dos pacientes e, depois, apresentava resultados fraudados que apontavam diagnóstico de câncer, mesmo quando o material analisado não indicava qualquer risco à saúde.

Uma perícia feita em documentos apreendidos durante a investigação apontou que os laudos falsificados eram montados a partir de fragmentos de exames verdadeiros de outros pacientes, recortados e colados para simular resultados que nunca haviam sido emitidos por laboratórios.

Vítimas e valores da fraude

O inquérito policial, concluído em outubro de 2024, identificou 31 vítimas, enquanto a denúncia apresentada pelo Ministério Público chegou a abranger 38 pessoas. Pacientes relataram ter pago entre R$ 5 mil e R$ 13 mil por procedimentos cirúrgicos para retirada de lesões que, segundo a apuração, nunca tiveram indicação médica real. Nas fases iniciais da investigação, o prejuízo total foi estimado em R$ 92 mil.

Defesa recorre da decisão

A defesa da médica, representada pelo advogado Valmor Antônio Weissheimer, informou que vai recorrer da sentença. O objetivo é reverter a condenação no Tribunal de Justiça do Paraná e, se necessário, levar o caso a tribunais superiores.

Além do processo criminal, Carolina também responde a processo disciplinar no Conselho Regional de Medicina do Paraná, que apura o uso do título de dermatologista, especialidade que ela nunca teve registrada oficialmente.

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