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O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira (7/9) estar “profundamente chocado” com a vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição estadual da Saxônia-Anhalt, realizada no domingo (6/9). Ele classificou o resultado como “sísmico” e reconheceu que o impacto vai além das fronteiras do estado.
“Não apenas no país, mas também dentro do meu próprio partido político, e levo isso muito a sério”
Friedrich Merz, chanceler da Alemanha
A AfD recebeu 43,8% dos votos no estado, mais que o dobro do resultado obtido na eleição anterior. Já a União Democrata-Cristã (CDU), partido de Merz, ficou com apenas 17,2%, uma queda de 20 pontos percentuais em relação ao pleito anterior. O chanceler classificou o resultado como a mais dura derrota eleitoral da sigla em décadas e admitiu que seus próprios índices de popularidade, nos níveis mais baixos já registrados, contribuíram para o revés.
Sem aliança e sem renúncia
Merz descartou qualquer trabalho conjunto com a legenda de extrema direita e afastou a possibilidade de renunciar ao cargo, mantendo a agenda de reformas do governo. “Desistir não é uma opção para mim”, disse. Segundo ele, a CDU e a coalizão vão avaliar o que pode ser feito de forma diferente após as eleições regionais em Berlim e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, previstas para duas semanas depois.
O chanceler também reafirmou que não vai alterar sua posição em relação à Rússia nem reduzir o apoio à Ucrânia. “Não vou me desviar nem um milímetro da minha convicção fundamental de que precisamos defender nossa liberdade, especialmente agora, contra a Rússia”, declarou. Segundo ele, interromper o apoio a Kiev pioraria a situação, e a liderança russa busca desestabilizar o sistema de valores do Ocidente.
AfD tenta atrair parlamentares da CDU
A AfD ficou com 39 das 83 cadeiras do Parlamento estadual, três a menos do que a maioria absoluta, e agora tenta atrair deputados da própria CDU para viabilizar seu projeto de governar o estado, o que seria a primeira vez que um partido de extrema direita assume o poder estadual na Alemanha do pós-guerra. Tino Chrupalla, copresidente nacional da AfD, pediu que parlamentares da CDU viabilizem uma “maioria conservadora de centro-direita” na região.
Reação na Europa
O resultado repercutiu fora da Alemanha. Na França, o ministro das Finanças, Roland Lescure, disse que a votação envia um sinal “muito, muito preocupante” e alertou para uma onda populista que se espalha pelo mundo. Na Polônia, o primeiro-ministro Donald Tusk criticou duramente quem celebrou o resultado, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o enviado presidencial russo Kirill Dmitriev publicaram mensagens elogiando o desempenho da AfD nas redes sociais.
Segundo levantamento citado pela agência Reuters, a AfD foi mais votada entre eleitores homens, com menor estabilidade econômica e menor escolaridade. A copresidente nacional do partido, Alice Weidel, classificou o resultado como um marco e disse que a legenda pretende alcançar ao menos 40% dos votos na eleição nacional prevista para 2029.