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Ataques aéreos israelenses a uma cidade no sul do Líbano mataram pelo menos 12 pessoas, incluindo duas crianças, na manhã desta segunda-feira (7/9), segundo o Ministério da Saúde do país. O episódio marca um dos dias mais letais de bombardeios israelenses no Líbano nas últimas semanas e alimenta o temor de uma nova campanha militar de Israel na região.
Os ataques ocorreram apesar do cessar-fogo estabelecido em junho, que visava interromper os combates entre o exército israelense e o grupo armado libanês Hezbollah. Segundo o Ministério da Saúde, 11 pessoas, entre elas duas crianças e quatro mulheres, morreram no bombardeio a um prédio residencial na cidade de Kfar Rumman. Um ataque separado, realizado por um drone contra um veículo civil na mesma região, matou um socorrista e feriu outros dois.
Uma mulher que se identificou como parente de ao menos três das vítimas relatou que o ataque atingiu o prédio no momento em que as crianças se preparavam para ir à escola. Repórteres da agência Reuters viram livros escolares espalhados entre os blocos de concreto onde ficava o edifício, enquanto equipes de resgate trabalhavam com maquinário pesado para retirar corpos dos escombros durante toda a manhã.
“Estão enganados”, diz parente de vítimas
Entre as vítimas está a família de Mustafa Farhat, de 8 anos, que perdeu os avós e a mãe no ataque, segundo moradores locais. Na manhã de segunda-feira, equipes de resgate ainda buscavam o corpo do pai do menino, enquanto ele recebia tratamento hospitalar para os próprios ferimentos.
“O que eles atacaram? Qual é o objetivo deles? Querem que deixemos nossa terra? Estão enganados”
Mona Farhat, parente das vítimas
O exército israelense afirmou ter atacado pessoas vistas transferindo armas na região de Kfar Rumman e disse que medidas foram tomadas para mitigar danos a “indivíduos não envolvidos”, incluindo o uso de munições de precisão e vigilância aérea. As forças armadas informaram estar analisando relatos de que civis foram feridos nos bombardeios. Os ataques ocorreram sem aviso prévio de evacuação por parte do exército israelense.
Escalada na fronteira
Segundo autoridades de segurança libanesas, as forças israelenses afirmam ter expulsado combatentes do Hezbollah da região da crista de Ali al-Taher, um conjunto estratégico de colinas no sudeste do Líbano onde o grupo teria construído um complexo militar subterrâneo. Nos dias seguintes, Israel intensificou os ataques contra cidades ao norte e a oeste da crista, para onde moradores haviam retornado após o cessar-fogo de junho.
No domingo, pelo menos 11 pessoas morreram em ataques israelenses contra três cidades próximas à região, segundo balanço do Ministério da Saúde libanês. A pasta informou ainda que ataques distintos ocorridos no mesmo dia destruíram o hospital Ghandour, na cidade de Nabatieh al-Fawqa, e que outras quatro pessoas morreram na sexta-feira (4/9) em ataques sem aviso de evacuação.
Desde que o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em 2 de março, dois dias após o início de ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, os bombardeios israelenses já mataram mais de 4.300 pessoas no Líbano, entre elas mais de 250 crianças, quase 400 mulheres e mais de 130 profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde do país, que não distingue civis de combatentes em seus balanços.