Flávio associa voto em Lula a Moraes e mobiliza multidão na Paulista

Candidato do PL fez ligação direta entre o presidente e o ministro do STF durante discurso na Avenida Paulista, quando também comentou o tamanho do público do ato.

5 min de leitura
Flávio Bolsonaro discursa para apoiadores durante ato na Avenida Paulista em 7 de setembro. Foto: Reprodução

ouvir notícia

0:00

Áudio gerado por IA — nomes e termos podem soar diferente do esperado.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) resumiu o discurso central da campanha durante o ato que promoveu na Avenida Paulista, na tarde desta segunda-feira (7/9): a tentativa de vincular o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diretamente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. “Quem vota em Lula, vota em Alexandre de Moraes”, declarou o senador ao microfone.

Na sequência, Flávio reforçou o argumento de que uma eventual reeleição de Lula abriria caminho para novas indicações ao Supremo no mesmo perfil de Moraes: “Nós não vamos permitir que Lula indique mais quatro Alexandres de Moraes para o Supremo Tribunal Federal”. O ministro foi indicado à Corte por Michel Temer (MDB), em 2017.

Moraes foi o principal alvo dos ataques do primogênito de Jair Bolsonaro durante toda a tarde. Em outro momento do discurso, o candidato chamou o magistrado de “laranja podre” e prometeu indicar cinco novos ministros ao STF caso seja eleito.

O discurso teve início com Flávio relembrando o atentado a faca sofrido pelo pai em 2018, durante a campanha daquele ano. Ele descreveu o julgamento que condenou Jair Bolsonaro pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 como uma “farsa” e disse que o ex-presidente “levou uma segunda facada” ao ser condenado por um crime que nega ter cometido.

Repercussão entre aliados

Outros nomes da direita também subiram ao palco. O governador Tarcísio de Freitas cobrou explicações do Supremo sobre o próprio Moraes e defendeu que a Corte apure as denúncias em vez de se defender delas: “Ninguém está acima da lei e da Constituição”. Já o deputado Nikolas Ferreira voltou a chamar de “pastel de vento” os áudios em que conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo do Banco Master, e afirmou que o “lugar de Alexandre de Moraes é na cadeia”.

Flávio chegou ao ato por volta das 14h30, acompanhado da esposa Fernanda, e subiu ao trio elétrico para cumprimentar os apoiadores presentes na Paulista. A programação foi aberta pela bispa Sonia Hernandes e pela deputada Bia Kicis, e teve ainda a participação do prefeito Ricardo Nunes, que resumiu o discurso do grupo dizendo que “o Supremo é o povo brasileiro”. No palco, o locutor do evento também pediu anistia a Jair Bolsonaro, preso desde a condenação pelos atos golpistas.

Um ato sob os olhos do bolsonarismo

A manifestação é tratada pela campanha como um termômetro da força atual do bolsonarismo, na esteira da repercussão das mensagens trocadas entre Flávio e Daniel Vorcaro e de diálogos atribuídos ao próprio ex-banqueiro com Alexandre de Moraes, a quem teria perguntado se deveria deixar o país dias antes de ser preso, em novembro de 2025. Os gritos que marcaram o ato foram “Fora, Lula, Fora, Moraes” e “É agora ou nunca”, com a organização esperando reunir ao menos 100 mil pessoas.

O tamanho do público

Segundo estimativa do Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Cebrap e a organização More in Common, o público chegou a um pico de 28,5 mil pessoas, número que pode variar entre 25,1 mil e 32 mil considerando a margem de erro do levantamento, feito a partir de fotografias aéreas analisadas por inteligência artificial.

Disputa apertada nas pesquisas

O ato também teve o objetivo de dar visibilidade às candidaturas ao Senado por São Paulo de André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), ambos alinhados à pauta de pedidos de impeachment no Congresso Nacional. A disputa presidencial segue apertada: o Datafolha divulgado em 3 de setembro mostrou Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio, e uma vantagem de 46% a 44% em eventual segundo turno. No levantamento anterior, de 21 de agosto, a diferença no segundo turno era maior, de 47% a 43%.

Compartilhar este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *