Após ordem de Mendonça, PF vive maior crise institucional em anos com reação em bloco da cúpula

Em nota dura, os 11 diretores da corporação repudiam "ataques injustificados" e colocam os cargos à disposição em defesa de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, afastados por decisão do ministro do STF André Mendonça

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Prédio da Polícia Federal em Brasília. Foto: Reprodução

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Os 11 diretores da Polícia Federal colocaram os cargos à disposição nesta terça-feira (8/9), horas depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinar o afastamento do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada.

Em nota conjunta assinada por toda a cúpula da PF, os diretores manifestaram apoio integral aos dois colegas afastados e repudiaram o que classificaram como “injustificados ataques” contra a instituição, atribuindo o episódio a narrativas moldadas por interesses político-eleitorais.

O que motivou o afastamento

A decisão de Mendonça atendeu a um pedido do partido Novo, que havia solicitado não apenas o afastamento de Rodrigues, mas também sua prisão, com base em denúncias de suposta interferência na investigação do caso Banco Master e em relatos de ameaças atribuídas ao delegado. Ao acolher parcialmente o pedido, o ministro determinou a suspensão preventiva de Rodrigues e Almada e mandou a Corregedoria da PF abrir procedimentos administrativo-disciplinares e criminais contra ambos.

Mendonça também suspendeu, em caráter cautelar, a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência da PF que tratassem de integrantes do Judiciário, do Ministério Público e da própria polícia judiciária, citando “indícios robustos” de que a cúpula de Inteligência da corporação teria conhecimento ou participação nos documentos sob suspeita.

O caso foi levado à Segunda Turma do STF em sessão virtual, onde os ministros Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam o entendimento de Mendonça, formando maioria para referendar a decisão. Gilmar Mendes pediu vista e deve se manifestar posteriormente.

A resposta da cúpula da PF

Na nota, os diretores destacaram que a gestão de Andrei Rodrigues foi marcada por “atuação técnica, isenta e responsável” à frente da corporação, período em que a PF prendeu Daniel Vorcaro, do Banco Master, avançou na identificação de suspeitos no caso Marielle Franco e apurou fraudes bilionárias contra o INSS.

Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana.

Diretores da Polícia Federal, em nota conjunta

Ao final do texto, os diretores formalizaram a colocação de seus cargos à disposição do diretor substituto, reafirmando o compromisso da instituição com “uma Polícia Federal capaz de promover justiça e assegurar o Estado Democrático de Direito”, mesmo em meio à crise interna deflagrada pela decisão do STF.

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