Após vitória histórica, extrema direita alemã tenta formar governo na Saxônia-Anhalt

Partido teve 43,8% dos votos no estado e agora negocia com parlamentares para viabilizar o primeiro governo estadual da extrema direita alemã desde a Segunda Guerra.

4 min de leitura
Membros da AfD comemorando. Foto: Reprodução

ouvir notícia

0:00

Áudio gerado por IA — nomes e termos podem soar diferente do esperado.

O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) está “muito, muito perto” de chegar ao poder no estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país, segundo a vice-líder parlamentar da legenda, Beatrix von Storch. A avaliação foi dada após uma vitória histórica nas eleições estaduais de domingo (6/9).

Os resultados preliminares mostram que a AfD ficou a três cadeiras de conquistar a maioria absoluta no Parlamento estadual, com 43,8% dos votos. O partido deve ficar com 39 das 83 cadeiras, em vez das 42 necessárias, e agora busca apoio de outros partidos ou de parlamentares individuais para conseguir governar.

A maioria dos partidos políticos alemães se recusa a trabalhar com a AfD, mas Von Storch pediu que os adversários entrem em negociações com a legenda. “Você não pode dizer que não aceita o voto do povo”, afirmou à BBC.

A disputa pelo governo estadual

O líder da AfD na Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira (7/9) que o partido recebeu um “mandato claro para governar”. O governador derrotado do estado, o correligionário da CDU Sven Schulze, também reconheceu que o mandato para governar “agora está nas mãos da AfD”.

Segundo Von Storch, o partido está conversando com integrantes da bancada da CDU, a maior sigla tanto da coalizão que deixa o governo estadual quanto do governo federal alemão, porque esses parlamentares estariam “muito, muito insatisfeitos” com o próprio partido. Uma das possibilidades discutidas é um acordo informal pelo qual o pequeno partido BSW, de linha populista de esquerda, daria apoio tácito para permitir que a AfD formasse um governo minoritário.

Siegmund afirmou que as conversas com outros partidos começaram na noite de domingo e podem levar dias ou semanas. “Primeiro, entramos em contato com todos, vamos realizar consultas e então veremos se há grupos parlamentares ou deputados individuais dispostos a nos ajudar”, disse. Outra possibilidade discutida, considerada pouco provável, é um governo de coalizão minoritário liderado pela própria CDU, além da hipótese de uma nova eleição para romper o impasse.

Um resultado sem precedentes no pós-guerra

Nenhum partido de extrema direita controla um estado alemão desde a Segunda Guerra Mundial, e governar em nível estadual daria à AfD poder sobre áreas como segurança pública e educação local. A Saxônia-Anhalt tem cerca de 2,1 milhões de habitantes, e a AfD no estado é classificada pelo serviço de inteligência doméstica alemão como extremista de direita, uma acusação que Siegmund rejeita.

Entre os planos do partido para o estado estão a separação de crianças refugiadas em turmas especiais e a criação de uma força-tarefa para deter e deportar migrantes que já não têm direito de permanecer na região, medidas consideradas altamente controversas na Alemanha. Von Storch afirmou que, caso os partidos se recusem a trabalhar com a AfD, “poderíamos acabar em um caos grave e talvez ter uma nova eleição”.

Compartilhar este artigo
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *