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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (7/9) impedir a Bombardier, fabricante de aviões com sede no Canadá, de vender aeronaves no mercado americano caso a empresa não passe a produzir no país. A declaração é mais um capítulo da guerra comercial entre Washington e Ottawa e da estratégia de Trump de pressionar companhias estrangeiras a fabricar em solo americano.
“Não haverá mais vendas da Bombardier nos Estados Unidos! Os produtos deles não são bons o suficiente!”
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Segundo o presidente americano, a Bombardier só poderá manter acesso ao mercado dos Estados Unidos se produzir seus aviões em território americano. A Casa Branca não informou como a ameaça seria colocada em prática nem quais medidas concretas seriam adotadas, e a Bombardier não havia se manifestado sobre a declaração até a publicação deste texto.
O que está em jogo para a Bombardier
A exigência de Trump faz parte de uma política mais ampla do governo americano, que tem usado tarifas e outras barreiras comerciais para incentivar empresas estrangeiras a transferir parte de sua produção para os Estados Unidos. No caso da Bombardier, a medida pode ter impacto relevante: cerca de metade dos 5,1 mil aviões operados por clientes da empresa está em território americano.
A companhia já possui operações nos Estados Unidos, incluindo uma fábrica no estado do Kansas, onde prepara aeronaves para missões especiais de defesa. A unidade, porém, não concentra a fabricação dos principais jatos executivos da marca, que continuam sendo produzidos no Canadá.
Pressão que já durava meses
A ameaça desta segunda-feira não é a primeira ofensiva de Trump contra a fabricante canadense. Em janeiro, o presidente já havia cogitado aplicar uma tarifa de 50% sobre aeronaves produzidas no Canadá e afirmou que os Estados Unidos poderiam retirar a certificação dos jatos da linha Global Express da Bombardier. Na ocasião, ele condicionou as medidas à certificação, pelo Canadá, de aeronaves da americana Gulfstream, concorrente direta da Bombardier. As ameaças de janeiro não chegaram a ser implementadas, e o Canadá posteriormente certificou alguns modelos da Gulfstream.
O episódio se insere em um contexto de tensão comercial crescente entre Estados Unidos e Canadá, com Trump utilizando tarifas como instrumento de pressão sobre parceiros comerciais e empresas estrangeiras.
Uma cadeia de produção integrada
A Bombardier é uma das principais fabricantes de jatos executivos do mundo e tem presença relevante no mercado americano, o que faz de uma eventual perda de acesso aos Estados Unidos um problema significativo para a companhia. Ao mesmo tempo, a empresa mantém uma cadeia de produção integrada entre Canadá e Estados Unidos, com centros de serviços e outras operações além da fábrica no Kansas.
Em 1º de setembro, a Bombardier anunciou a compra, junto à fornecedora japonesa Mitsubishi Heavy Industries, de uma fábrica no Canadá que produz asas para os jatos Global 5500 e Global 6500. Em julho, a empresa também informou que sua receita trimestral havia crescido 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 2,15 bilhões, impulsionada principalmente pela demanda por serviços de manutenção e pós-venda.