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A crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal virou, de forma inevitável, tema central na disputa pela Presidência da República. O estopim foi um relatório da Polícia Federal que mapeou trocas de mensagens e encontros entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master hoje sob investigação, levantando a suspeita de que Moraes teria recebido vantagens econômicas em troca de informações sigilosas sobre operações policiais. Diante do escândalo, os principais candidatos à Presidência já escolheram lado, e as reações vão da cautela ao pedido explícito de prisão.
Como cada presidenciável reagiu
Lula (PT) optou pelo tom mais moderado entre os postulantes ao Planalto. Sem citar Moraes nominalmente, o presidente defendeu que as investigações sigam seu curso de forma ampla, afirmando que a democracia “precisa de instituições fortes e respeitadas”.
“É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer.”
Lula (PT)
Já Flávio Bolsonaro (PL) adotou um discurso bem mais duro. O senador cobrou a abertura “imediata” de um processo de impeachment contra Moraes e criticou publicamente a inércia dos colegas no Congresso.
Já Flávio Bolsonaro (PL) adotou um discurso bem mais duro. O senador cobrou a abertura “imediata” de um processo de impeachment contra Moraes e classificou os colegas de Senado como “anestesiados” diante da crise.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), foi na mesma direção e afirmou que o Senado “tem maioria para pedir e votar” o impeachment do ministro. Augusto Cury (Avante) preferiu uma posição condicional, dizendo que Moraes deveria “se explicar” e que, se ficar comprovada a culpa, o impeachment é o caminho natural. Romeu Zema (Novo) foi mais longe que todos e defendeu não apenas o impeachment, mas também a prisão do ministro.
Renan Santos (Missão) saiu da retórica para a prática: ele já protocolou formalmente pedidos de impeachment tanto contra Moraes quanto contra o ex-presidente do STF Dias Toffoli.
109 pedidos de impeachment em tramitação
A pressão política não vem só dos candidatos à Presidência. Diversos senadores de oposição também protocolaram pedidos de afastamento de Moraes. O volume da situação chamou atenção até do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que classificou como anormal o fato de existirem hoje 109 solicitações de impeachment contra ministros do STF em tramitação na Casa.
A crise tem outras frentes
O noticiário em torno do caso não se limita a Moraes. Flávio Bolsonaro, um dos que mais cobrou punição ao ministro, também aparece em investigações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Do outro lado do espectro político, o senador petista Jaques Wagner virou alvo de apuração sobre supostos benefícios ligados ao Banco Master.
Como se não bastasse, a crise ganhou mais um desdobramento dentro do próprio STF: Moraes formalizou uma acusação de improbidade administrativa contra o ministro André Mendonça, enquanto o presidente da Corte, Edson Fachin, abriu um procedimento próprio para apurar possíveis nulidades nas ações conduzidas por Mendonça.