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A fabricante britânica de veículos de luxo Jaguar Land Rover (JLR) anunciou nesta segunda-feira (7/9) um programa de demissão voluntária que deve reduzir em quase 10% o quadro de funcionários da empresa ao longo dos próximos dois anos. Controlada pela indiana Tata Motors, a companhia prevê eliminar cerca de 4 mil postos de trabalho.
A medida ocorre em meio ao aumento da pressão sobre a indústria automobilística global, que enfrenta a concorrência crescente de fabricantes chineses e os efeitos de tarifas comerciais em diferentes mercados. Com 17 unidades na Inglaterra e cerca de 43 mil funcionários no mundo, sendo 34 mil só no Reino Unido, a JLR não detalhou em quais áreas os cortes serão concentrados.
O objetivo da empresa é economizar 1,7 bilhão de libras, o equivalente a cerca de R$ 12,5 bilhões, e reduzir seu ponto de equilíbrio operacional para aproximadamente 300 mil veículos vendidos por ano.
“A indústria automotiva enfrenta desafios significativos, com mudanças tecnológicas em meio à intensa concorrência e à persistente incerteza geopolítica”
PB Balaji, CEO da Jaguar Land Rover
O programa de demissão voluntária deve afetar principalmente os 26 mil funcionários das áreas administrativa e de gestão da companhia. A JLR ainda se recupera de um ataque cibernético sofrido em 2025, que provocou uma longa paralisação da produção e afetou toda a cadeia de fornecedores da fabricante.
Concorrência no setor automotivo
A situação da JLR reflete um movimento mais amplo no setor. Na semana passada, a alemã Volkswagen aprovou planos para eliminar mais de 50 mil empregos, também como resposta a tarifas elevadas, ao excesso de capacidade produtiva e à forte concorrência das montadoras chinesas.
Apesar dos cortes, a JLR afirmou que lançará cinco novos produtos nos próximos 12 meses e manterá investimentos entre 15 bilhões e 18 bilhões de libras, cerca de R$ 110,5 bilhões a R$ 132,6 bilhões, ao longo dos próximos cinco anos em eletrificação, tecnologias digitais, manufatura avançada e melhorias na experiência do cliente. Segundo a companhia, o objetivo é reduzir custos e simplificar a estrutura do negócio para torná-lo mais resiliente.
Reação do governo britânico
Os cortes representam um revés para o governo britânico, que tenta impulsionar uma economia de crescimento lento. Nesta segunda-feira, o ministro das Finanças, John Healey, discursou em Coventry, cidade próxima à sede da JLR, e apresentou uma visão mais otimista para a economia antes da divulgação do orçamento nacional, prevista para o fim de outubro.
O ministro dos Negócios, Jonathan Reynolds, conversou com o CEO da JLR nesta segunda-feira e deve se reunir ainda esta semana com representantes da empresa e dos sindicatos. O porta-voz do primeiro-ministro, Andy Burnham, reconheceu que o momento é de incerteza para os trabalhadores.
Já o prefeito da região, Richard Parker, anunciou um pacote de 500 mil libras, cerca de R$ 3,7 milhões, para apoiar os funcionários que aderirem ao programa de demissão voluntária.